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Najmeh Amini, estudante iraniana de 23 anos, foi condenada à morte por blasfêmia após publicar insultos ao profeta Maomé nas redes sociais. Presa em Mashhad, ela alega ter agido sob efeito de alucinógenos. A Iran Human Rights Monitor denuncia tortura e negação de defesa adequada. Najmeh também recebeu pena de 12 anos por propaganda contra o regime. Em áudio, ela pede ajuda internacional para um julgamento justo, expressando esperança por um Irã livre antes de sua execução.

A estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à morte por blasfêmia por causa de uma publicação nas redes sociais.

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Najmeh é estudante de contabilidade e foi presa em 31 de janeiro, ao sair do shopping Ferdowsi, um dos centros comerciais mais movimentados de Mashhad, no nordeste do Irã, onde mora.

A organização Iran Human Rights Monitor afirmou que Najmeh foi agredida por policiais durante a prisão e mantida em isolamento na ala de segurança da Penitenciária Central de Mashhad. Ela também teria sido torturada física e psicologicamente durante os interrogatórios.

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A estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à morte por blasfêmia. Foto: Reprodução/Redes sociais

Em um áudio gravado na prisão, a estudante falou sobre a família. “Tenho pais que me esperam, uma família que acorda todas as manhãs com medo de me perder.” Segundo a Iran Human Rights Monitor, ela teve o direito de escolher o próprio advogado negado.

Por qual crime Najmeh foi condenada?
Najmeh foi condenada à morte em 16 de setembro pelo crime de sabol-nabi, que consiste em insultar o profeta Maomé ou outros profetas divinos.
Segundo a organização Iran Human Rights, sediada em Oslo, o artigo 262 do Código Penal Islâmico define sabol-nabi como um crime punível com a morte e determina a aplicação obrigatória dessa punição a quem insultar o profeta Maomé ou qualquer outro profeta divino ou acusá-los de qazf - termo jurídico islâmico que significa fazer uma falsa acusação de falta de castidade contra alguém.
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No entanto, o artigo 263 estabelece hipóteses de defesa que podem afastar a punição, como quando o acusado afirma ter feito as declarações sob coerção, em estado de embriaguez ou intoxicação, por um lapso de linguagem ou sem atentar para o significado das palavras. Em certas circunstâncias, a punição pode ser substituída por até 74 chibatadas.
A Iran Human Rights afirmou que Najmeh foi julgada pela 6ª Vara do Tribunal Criminal de Primeira Instância da província de Khorasan Razavi, presidida pelo juiz Javad Asian-Yazd, e condenada à morte sob a acusação de sabol-nabi.
Segundo o jornal iraniano Khorasan, o advogado de Najmeh alegou que ela havia feito as publicações “por um lapso de linguagem”, enquanto a estudante relacionou o episódio ao “consumo de substâncias alucinógenas”.
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“Eu havia consumido cogumelos alucinógenos com alguns amigos e, enquanto estava sob efeito de alucinações, publiquei essas frases nas redes sociais, depois de me deixar levar intensamente pelo ambiente”, disse Najmeh.
No entanto, o juiz contestou as declarações e questionou por que a estudante não havia insultado “outras pessoas ou adversários do regime, como os Estados Unidos e Israel”.
Najmeh também foi condenada a 12 anos, seis meses e um dia de prisão em um julgamento separado, por acusações relacionadas a atos contra a segurança nacional e à disseminação de propaganda contra o regime.
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No áudio gravado na prisão, a estudante pediu à comunidade internacional e à Organização das Nações Unidas (ONU) que a ajudassem a obter um julgamento justo. “Não estou tentando me transformar em uma heroína hoje; peço apenas uma coisa: sejam a minha voz. Sou uma jovem inocente, com tantas esperanças e sonhos”, afirmou.
“Não quero que o último vestígio de mim sejam algumas linhas em um processo judicial”, disse. “Lembrem-se do meu nome; talvez eu não consiga falar novamente. Mas, enquanto estiver viva, mantenho uma esperança: que, antes que a corda ponha fim à minha vida, eu possa ver meu Irã próspero e livre.”
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