A CBF retirou nesta quinta-feira (8/10) o registro de Diego Souza como treinador no Boletim Informativo Diário (BID). A decisão ocorre enquanto a entidade apura a validade da licença profissional apresentada pelo ex-jogador para exercer a função.O documento permitia que Diego trabalhasse como treinador e estava vinculado à Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA). A validade da licença, no entanto, passou a ser questionada após o nome do ex-jogador aparecer em uma investigação sobre certificados irregulares comercializados pelo ex-Palmeias Alejandro Mancuso.3 imagensFechar modal.1 de 3Diego Souza, atacante do GrêmioSilvio Avila/Getty Images2 de 3AFA/LatinContent via Getty Images3 de 3Joinville anuncia Diego Souza, ex-Palmeiras e Sport, como novo técnicoReprodução/InstagramO caso foi revelado pelo UOL e envolve o ex-atleta que atuou por Flamengo e Palmeiras, investigado por um esquema de venda de diplomas de treinador. Segundo a reportagem, as licenças eram oferecidas por R$ 100 mil, e Diego está entre os nomes relacionados ao esquema.A situação ocorre pouco mais de dois meses depois do ex-jogador assumir o Joinville. Anunciado em 2 de agosto, o treinador estreou no fim daquele mês e comandou o time em cinco partidas pela Copa Santa Catarina, com três vitórias e duas derrotas.Venda de diplomas falsosUma série de ex-estrelas do futebol brasileiro comprou diplomas falsos de treinador, que prometiam licenças da ATFA, sem a necessidade de cumprir os cursos exigidos pela entidade.Entre os nomes envolvidos estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic, Paulinho (ex-Corinthians) e Paolo Guerrero.Segundo a investigação, Alejandro Mancuso era responsável por oferecer aos jogadores o chamado “trâmite urgente”.O caso foi revelado pela jornalista Joanna de Assis, do Uol. A investigação reuniu áudios, mensagens e documentos relacionados ao esquema.Jogadores chegavam a pagar cerca de R$ 100 mil para receber quatro licenças de treinador (C, B, A e PRO), que eram enviadas pelo correio em poucos dias.O argumento era de que atletas com carreiras consolidadas não precisariam passar pelos anos de formação exigidos pela ATFA.O argentino afirmava ter um acordo com dirigentes da entidade para facilitar a emissão dos certificados.Mancuso se apresentava como “diretor internacional da ATFA” e dizia que o presidente e o departamento jurídico da escola estavam envolvidos.Mancuso dizia que os jogadores poderiam receber as quatro licenças sem cumprir a formação regular. A ATFA, porém, afirma que não autorizou nenhum procedimento desse tipo.A carreira como jogador profissional, segundo a entidade, não permite ao atleta dispensar essas etapas.A própria ATFA afirma que os documentos entregues por Mancuso são falsos e que o argentino nunca teve autorização para representar a instituição.O caso também chegou à Justiça argentina. Em 2025, a polícia realizou uma busca e apreensão na sede da ATFA para investigar a suposta emissão irregular de diplomas e licenças para ex-jogadores estrangeiros.Segundo a entidade, porém, não foram encontrados documentos que comprovassem a emissão irregular dentro da própria associação.Mancuso nega ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Ele afirmou que apenas orientava atletas que procuravam informações sobre como obter a formação argentina.O ex-jogador também negou ter vínculo com a ATFA e disse ser apenas um comentarista de rádio.Questionado sobre os áudios em que oferecia diplomas e sobre jogadores que afirmam ter recebido os documentos após pagamentos, Mancuso negou ter realizado esse tipo de negociação e afirmou que os atletas deveriam tratar diretamente com a federação.










