Belo Horizonte – A transição do governo de Mateus Simões (PSD) para sucessor, o governador eleito de Cleitinho Azevedo (Republicanos), começa com alguns atritos e desconfiança de lado a lado. O principal ponto de tensão entre os grupos é de onde virá o dinheiro para que sejam pagos os mais de 750 mil servidores estaduais a partir de janeiro do ano que vem.Dois dias após o primeiro turno, Simões já havia manifestado preocupação com a transição entre as gestões e afirmado que mais de 750 mil famílias poderiam ser afetadas. O ex-vice de Romeu Zema (Novo) chegou a chorar.Minas terá no ano que vem um déficit nas contas de cerca de R$ 9 bilhões e precisa pagar as parcelas de uma dívida de quase R$ 200 bilhões com a União. Segundo o governo atual, haverá dinheiro para pagar 13º e salários até janeiro, mas a transição quer acesso a dados para saber o que vem depois disso.O próprio Cleitinho Azevedo partiu para questionamentos em comentário feito em postagem nas redes sociais do jornal O Estado de Minas, questionando Simões se “ele mesmo está alegando sua incompetência? Se janeiro já não tem dinheiro para pagar servidores, quem está governando o estado até dezembro?”. Leia também Minas GeraisGoverno de MG garante salário até janeiro e equipe de Cleitinho cobra dados Minas GeraisCleitinho oficializa Gabriel e aliados na transição de governo em MG Minas GeraisBen Mendes acusa Cleitinho de trair bolsonaristas: “Facada nas costas” Em meio ao tensionamento, Simões disse que o pagamento dos salários de janeiro será realizado no dia 6, exatamente no dia em que os governadores eleitos tomarão posse.Mateus Simões também afirmou que o futuro governador chegou a lhe pedir um horário reservado, mas comentou que acredita que a ideia dele é seguir discutindo on-line e “jogando para a plateia”.O governador, alegando dar mais visibilidade e transparência para o processo de transição, está transmitindo as reuniões semanais nos canais oficiais do governo na internet.Temor de possível não pagamento de salários vem de promessa para redução de IPVAApesar de não explicar o temor de um possível não pagamento de salários a partir de janeiro, Simões deixou implícito que a fala tenha relação com uma das principais promessas de campanha do futuro governador, a redução do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).A avaliação de alguns especialistas é que, na situação financeira atual do estado, abrir mão desta receita poderá afetar serviços ou mesmo salários dos servidores públicos.Cleitinho vem alegando que a compensação por abrir mão destes recursos viria da revisão das isenções fiscais que o estado vem dando a empresas e que, só neste ano, está estimado em cerca de R$ 25 bilhões.








