Pouca vergonha

Quanto maior é o consumo de pornografia entre homens, menor é a capacidade de satisfação sexual. Psicoterapeuta revela os sinais de alerta

Julia de Mesquita

21/10/2026 02:00

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Com a ascensão de diferentes formas de pornografia, intensificou-se um dilema comum entre os casais, especialmente os heterossexuais: os conflitos causados pelo consumo desse tipo de conteúdo. Hoje, sabe-se que o consumo desenfreado pode, sim, impactar o desempenho sexual e até a dinâmica do relacionamento, já que cria expectativas irreais sobre como o sexo acontece.

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Segundo um estudo publicado na revista Health Communication, existe uma associação negativa entre o consumo de pornografia e a satisfação sexual de homens. Em outras palavras, quanto maior a frequência de consumo desses materiais, menores são a satisfação, o desejo e a disposição na cama.

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O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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No sexo, a liberdade permite testar novas posições e descobrir novas formas de prazer
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Riscos envolvidos
Ao Metrópoles, a psicoterapeuta sexual Lucimar Ghelfi explica que o sinal de alerta surge quando esses conteúdos passam a comandar a excitação.
“O homem vê corpos, ereções, duração e práticas apresentados de uma forma muito específica. Essas imagens passam a funcionar como referência para a vida real e moldam suas expectativas sobre como o sexo deveria acontecer. Ele começa a comparar o próprio corpo e desempenho com o que vê na tela e pode passar a enxergar como falha situações que são naturais na sexualidade, como variações na ereção, no desejo e no tempo da relação”, destaca.
Além de gerar preocupação excessiva com o desempenho, esses conteúdos podem, inclusive, fazer com que o sexo real perca a graça — já que ele em nada se parece com o que a pornografia reproduz. “Por isso, reduzir a exposição a esse estímulo é parte do caminho para que o desejo volte a responder ao que acontece fora da tela”, chama atenção.
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Muitas vezes, o vício em pornografia consome a rotina
Sinais de alerta
Embora também possa impactar a resposta sexual, Lucimar ressalta que é importante não atribuir as dificuldades de ereção e ejaculação somente ao conteúdo 18+. Segundo ela, ambas questões podem estar relacionadas a diferentes fatores físicos e psicológicos que devem ser investigados.
Ainda assim, a especialista elenca alguns sinais que merecem atenção:
- Perceber que precisa cada vez mais da pornografia para se excitar.
- Perda de estímulo ou surgimento de dificuldades com o sexo real.
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A dinâmica sexual dos casal pode ser impactada
“Sexo não acontece como um vídeo. Existe comunicação, desejo, insegurança, variação de ritmo e respostas diferentes de cada pessoa. Quando o homem deixa de viver a experiência e passa a se observar o tempo todo para saber se está correspondendo, ele pode acabar se tornando espectador da própria relação”, alerta.
Sem consciência não há tratamento
Por último, a psicoterapeuta reforça a importância de aceitar a condição para conseguir buscar ajuda. De acordo com ela, o tratamento costuma envolver terapia e outras abordagens individualizadas para cada caso.


